Solidão ou fome de Amor?

*por Ana Julia Rufine e Silvia Toledo – Psicólogas

O termo sentimento é uma palavra muito comum na nossa sociedade. Ele, o sentimento, expressa a condição em que as pessoas se encontram, e se apresentam naqueles que convivem com algo estranho, que martiriza que machuca, e que torna a pessoa vulnerável a uma dor que não se sabe a origem. Algumas vezes, mostram-se como algo bom e prazeroso e em outros momentos, aparecem como coisa ruim. Cada pessoa manifesta e demonstra com aqueles que os cercam de maneiras diferentes muitas vezes desconhecidos a si mesmos.

Atualmente as coisas acontecem tão rapidamente, e o que se vê por ai são pessoas cada vez mais solitárias. Moças lindas, com roupas cada vez mais micro e transparentes, freqüentando “baladas” num desassossego, a procura do quê? Com danças cada vez mais sexuadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, siliconados. Chegam sozinhas e saem sozinhas… Homens e mulheres, profissionais liberais, professores, comerciários, metalúrgicos e outros mais que estudam e trabalham e que alcançam sucesso profissional, ainda continuam sozinhos. A questão não é só sexo. Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, demonstrar afetividade, se preocupar um com o outro. Fazer um jantar para quem se gosta e depois saber que vão apenas dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com questões sexuais e poder sentir este momento como algo bom e prazeroso. Estas coisas simples é que nós perdemos por um desenvolvimento frenético e negação dos sentimentos e emoções. As nossas necessidades afetivas ficam embotadas pela a aparência e transformando-nos em máquinas, e nos impedindo de sentir. O sentimento de solidão e a necessidade de amor, se misturam com o desejo de perfeição, torna as pessoas mais solitárias em meio uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, inacessíveis e distantes. Mulheres e homens retardam o envelhecimento, ficam  com caras de bonecos, sem rugas, sorriso preso,  e cada vez mais sozinhos. Festas e Reives onde não existe nenhuma troca  afetiva, cada um fica na sua ou com as drogas como companhia. Mulheres contratam “personal dancer” para levá-las à  bailes. E todos continuam sozinhos! Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo… Isso é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não voltam mais… Isso é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe às vezes, para realinhar os pensamentos… Isso é equilíbrio.Tampouco é coisa do destino que nos impõe sem querermos, para que revejamos a nossa vida… Isso é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado… Isso é circunstância. Solidão é muito mais que isto, Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão, pela nossa alma. É ausência de alegria no coração. É luz sem brilho, apenas escuridão. É procurar-nos no horizonte em vão. É um rosto escondido da luz. É um corpo já sem alma. Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio e brega. O tempo para ser feliz é curto e cada instante que vai embora não volta mais. Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem a ver com o que imaginou, mas que pode ser a mulher ou homem da sua vida. E, quem sabe ali esteja a oportunidade de um sorriso a dois, novas amizades, novas relações afetivas. Por que ter medo de mostrar os sentimentos e as emoções e dizer: “amo você”, “fica comigo”? Porque se importar com a opinião dos outros ao invés de Ser feliz! O importante é não ser infeliz para si mesmo! O trabalho do psicólogo clínico é o de levar as pessoas a entender os sentimentos, como se caracterizam, como se manifestam nas pessoas, as condições que aparecem, se o sentimento é bom ou ruim e como alimentar o bom para que a vida pessoa possa ser melhor, para dar conta dos sentimentos ruins.